Pelo reflexo do espelho,
eu te vi ensaiar
aquele bobo aceno de despedida
segurando minha foto 3x4
horrível
que guardavas na carteira
onde minha barba está enorme e desgrenhada,
mas que tu dizias adorar.
segurando minha foto 3x4
horrível
que guardavas na carteira
onde minha barba está enorme e desgrenhada,
mas que tu dizias adorar.
"how can you mend a broken heart?"
Meu vizinho está ouvindo
aquela música que o Al Green gravou,
e que toca naquele filme que esqueci o nome,
mas lembro que é com a Julia Roberts
e quase me fez chorar.
"É cedo demais, meu bem.
"É cedo demais, meu bem.
Nem escureceu ainda", penso em te dizer.
Mas nós dois sabemos que já é desnecessário falar
qualquer coisa,
e que
não existe muita luz,
no final das contas.
"But I was never told about the sorrow"
Ainda há pouco,
enquanto
eu saía do banho,
a pergunta que fiz naquela carta,
que talvez nunca tenha sido lida
(quem sabe ainda está dentro
daquela revista Piauí,
que está naquela estante,
junto com várias outras revistas
e
livros
empoeirados,
que estão dentro daquela casa que está distante
de ti e de mim agora),
voltou clara e limpa:
Será que em outro tempo,
outra terra,
outra vida da qual já não nos lembramos
por ser longínqua demais,
demos tanto amor um para o outro
a ponto de fazer o deuses, sentindo o mais genuíno
despeito,
nos condenarem ao desencontro constante
nos atuais
tempo,
terra,
vida?
"Please help me mend my broken heart"
Tive aquele pesadelo de novo:
Nós dois caminhamos de mãos dadas
no meio de uma rua larga.
Estamos felizes.
Parecemos felizes.
Ao nosso redor
flutuam várias águas-vivas
e a gente acha aquilo muito bonito,
mas não estranho,
porque é sonho,
e dificilmente alguma coisa é estranha quando
estamos dentro do sonho.
Daí,
começamos a ouvir um barulho alto e chato .
Algo que lembra o som que uma britadeira
faz.
Então, surge um carrão grotesco
que, veloz, corre em nossa direção.
Está perto demais.
A gente se olha
com um sorriso amarelo
e continua caminhando
ainda de mãos dadas.
Então, tudo fica em slow motion.
Estás linda.
Somos pegos em cheio.
O ar é
azul
azul
preto
vermelho.
Ensaguentados,
ficamos deitados
no asfalto quente e molhado
daquela rua larga.
As águas-vivas são bonitas demais
e o céu está cheio delas.

Teus textos que são fodas!
ResponderExcluirAbraços, cara.
Valeu mesmo, cara!
ResponderExcluirForte abraço.