Há uma espécie
de condenação social que paira sobre nós ao sentirmos medo, raiva e revolta
diante da violência que nos sufoca. Somos pressionados a sentir apenas amor e
compaixão pelos que matam, roubam e sorriem - sem amor e sem compaixão.
Afinal de
contas, "somos vergonhosos por termos condições privilegiadas em relação
aqueles 'pobres coitados'. Pare de julgá-los. Dê amor! Dê amor!", é o que
nossos queridos irmãos intelectuais (?), bons de coração e hipócritas
esbravejam nas nossas caras de otários; caras desprotegidas; caras cheias de tristeza
e horror.
"O
problema é a falta de educação de qualidade. O problema é a falta de educação
de qualidade. O problema é...", e esse disco furado continua a tocar sem
fim. Ok, a educação é uma das questões. Porém, não é só isso. Outra questão
importante é essa: “Mas o que fazer enquanto ela, a educação, não melhora?
Sermos bons garotos e garotas?"
A cada dia -
me parece que sempre de forma mais intensa - somos tratados como meros
coadjuvantes no cenário dos assaltos, dos homicídios e etc (quase como ser
culpado por ser, em uma manhã ou noite qualquer, enviado para morar a sete
palmos abaixo da terra, de forma absurda): os vilões e vítimas de verdade; os
grandes, belos e frágeis protagonistas; os que merecem atenção especial – assim
somos ensinados -, são "eles"; aqueles que não receberam as nossas
“oportunidades”; aqueles que não têm nossos carros, motos e/ou bicicletas
(riam); que “precisam” dos nossos celulares; que não gostaram da nossa
aparência de “moradores de condomínios fechados"; que necessitam do nosso
dinheiro – e, por vezes, da nossa vida – para comprar aquele tênis escroto e
caro, e depois correr para aquela festa legal que vai rolar no próximo sábado
(Coitadinhos. Só querem realizar um pequeno sonho); são eles. São eles. São
eles!
Puta que o
pariu.
Nós?!
Nós somos os
desimportantes.
Roubados,
mortos,
queimados,
e culpados.
Acho que
precisamos pedir perdão para esses seres sem razão de Ser.
Venham
desgraçados.
Fiquem à
vontade.
Nos Roubem.
Invadam nossas
casas.
Nos matem.
Fiquem com o
que é nosso.
Vocês já
nasceram perdoados pelos meus irmãos idiotas que vos amam e vos dedicam
louvores.
E aquele velho
homem que disse que mataria - e conseguiu matar apenas um - os dois caras que
estupraram a mulher dele, está preso atualmente.
Isso aí.
Preso!
O que farei
agora?
Vou tentar
dormir
na expectativa
de sonhar com um lugar mais lúcido
ou
menos cheio de
gente morta;
sonhar com um
lugar onde as coisas não parecem ser, de tão sem sentido, piadas - e daquelas
sem graça;
Vou tentar
sonhar com a lua.
Uma vez,
dentro de um sonho,
sonhei que
estava olhando para a lua.
Tão linda.
Tão
maravilhosa.
Aí, ela foi
ficando
mais perto de
mim.
E uma voz, que
pareceu vir de dentro da minha cabeça e me transbordar, disse:
"Olhar
para a lua é olhar para casa".
É isso.
Sonhos dentro
de sonhos.
Vou dormir
para sonhar.
Então,
enquanto todos
vocês
se devoram e
se matam,
eu estarei
viajando pelo
espaço.
Amém.
Lucas Kalleb

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