No início era apenas um incômodo
que aparecia vez ou outra.
Depois passou a ser
dia sim,
dia não,
dia talvez.
Mais tarde, tornou-se diário.
Por fim, constatou:
O dente estava podre.
Procurou um dentista.
- Isso aí tem que arrancar, filho.
Saiu correndo dali.
Jamais iria permitir que arrancassem,
podre ou não.
Tinha a sensação de que seria arrancado
junto.
O dente também era ele.
Chegou em casa, ficou se encarando no espelho do quarto por três minutos.
Escancarou a boca, colocou a língua para o lado e
procurou o dente com os dedos.
Lá estava ele.
"Pobre
Dente
Podre", pensou,
com a cara toda retorcida.
Lucas Kalleb

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