28 de abril de 2015

Vestígios


eu tento encontrar vestígios
de mim 
nos teus versos tortos 

tanto nos escritos 
quanto nos
não escritos - que são menos teus que meus. 

às vezes, até
penso ver

barba;

tênis azul;

queda de cabelo;

palavras confusas 
- de um amor cheio de confusão
que está
dentro deste meu peito que é 
pura zorra - 
que devo ter dito 
em algum sábado ou domingo;


uma fome imensa 
de alma;

cansaço;

e até o velho gatinho 
Oskar que resolveu me deixar,
parece estar por lá também. 

vendo essas e outras
coisas
nestas folhas
espalhadas pelo meu 
apartamento,  
fico achando
que sou eu ali,
fico achando
que esse é teu jeito
de dizer
- mesmo não dizendo -,
que ainda te importas.

É evidente
que sinto uma 
alegria gigantesca
quando
tenho certeza. 


Lucas Kalleb

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