29 de setembro de 2015

Tentativas


Preciso assassinar o silêncio. Preciso, preciso mesmo. E logo.
Querer/poder; necessitar/ter. Quanta lonjura, porra! 
Sábado passado pedi para um vizinho fã de Tecno Melody
colocar o volume no máximo. Ele abriu um sorrisão, disse "Prajá, doutor" e 
correu para aumentar o som. Não funcionou: o silêncio não foi embora. 
Domingo fui à Praça da República e me embrenhei naquela 
multidão do arraial do Pavulagem que sempre me assustou e nada: o silêncio intocável ficou me olhando impassível. 
O maldito silêncio da ausência de quem não se despediu.
            (Lucas Kalleb)
 

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