- Sim, morreu.
- Mas de que cor era?
- Não
entendi. Como assim?
- A cor! Qual a cor da pele dele?
- E isso importa mesmo?
- Claro! Hoje em dia é sempre necessário verificar se a vítima é
alguém preto, morador de favela e injustiçado social ou um daqueles brancos
nojentos, moradores de condomínios fechados e merecedores de toda sorte de
males para saber como se posicionar e o que sentir em relação ao caso. Entendeu?
- Coisa estranha. Mas acho que saquei sim.
- Pois então, qual a bendita cor?
- Olha, não sei se vai ajudar muito, mas ele era verde.
- VERDE?!
- Calma! Mas sim, é isso.
- NUNCA VI ALGUÉM DESSA COR!
- Mas era essa a cor dele e não outra. E para de gritar, por
favor.
- Tá, desculpa. É que nunca me deparei com um caso difícil
assim. Vou dar uma olhada nos posts mais recentes da galera do Face pra saber
como devo me posicionar e o que sentir quando a vítima for verde.
- Ah...eu acho que você não entendeu muito bem a questão: o
Juliano morreu!
- Bah! Eu sei, eu sei. Mas esse detalhe não é tão importante
neste momento. Primeiro vou verificar a questão da cor, e depois resolvo o
resto. Já vou, migo. Mil beijos.
- Tá. Cuidado com essa correria toda. Tchau.
Lucas Kalleb

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