31 de maio de 2015

Cedo demais


Acabei de saber que um cara com quem eu esbarrava vez ou outra no ensino fundamental foi assassinado.
Tinha o mesmo nome que eu,
quase a mesma idade
e
estudava o mesmo curso.
A avenida Centenário foi o palco do horror.
Que cidade pavorosa é esta em que estamos!
Já faz tempo que tenho medo de sair de casa.
Sou recluso não só por gostar da solidão, mas por temer facas e armas de fogo
que ferem e matam diariamente homens que saem para o trabalho,
ciclistas,
mulheres descendo de ônibus,
crianças voltando das escolas ou do treino de futebol,
jovens dirigindo em direção a seus amores.
Pessoas que não queriam ir embora ainda, por ser muito cedo.
Em uma entrevista à uma TV local, o pai do rapaz pergunta:
"Será que essa pessoa (ou pessoas) que levou meu filho consegue dormir à noite?"
Acho que, infelizmente, sim, meu senhor. 
Há muitas monstruosidades vestidas com peles de homens e até de "garotinhos", 
para as quais
matar é como chupar um halls ou tomar uma xícara de café.
A maneira como morremos é cada vez mais absurda e ridícula.
Não era para ser assim. Não era.
Lucas, não nos falávamos muito naquela época de garotos,
mas quero dizer que aqui tu tens alguém que sofreu profundamente
quando soube dessa covardia hoje.


Lucas Kalleb

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