21 de fevereiro de 2014

Covarde

Eu tive medo. É isso. Não desisti por ter deixado de te desejar, mas por covardia mesmo. E agora, estou enfiado aqui  nessa fossa. E sabe o que vou fazer agora? Tomar umas boas cervejas, fumar uns cigarros e esquecer. Eu sempre digo aos meus amigos, com um sorriso no rosto: “Esse é o segredo da minha força. Meu remédio infalível”.  Ah, seu fingidor da porra. Por que não conta para eles que as suas noitadas são só para te salvar da loucura? Que precisa ficar bêbado a maior parte da semana, só para conseguir aguentar as dores que te dilaceram? Por que não fala sobre as madrugadas em que você fica cheio de nicotina, se contorcendo nas suas crises existenciais, procurando a razão de toda essa falta de sentido? Mas não. Você fica lá naqueles barzinhos com um cigarro na mão esquerda e um copo na direita, sempre sorrindo, sempre sorrindo. Sou patético, mesmo. Como se fosse possível esquecer você, esquecer a vida que tivemos, a vida que não chegamos a ter...Caramba, isso está doendo mesmo, sabe?
 E o pior foi o momento de me despedir. Naquela noite, na varanda, foi como se no teu rosto estivesse presente toda a beleza existente no universo. Por alguns segundos, cheguei a pensar que estava diante de um anjo. Tive vontade de perguntar : “Anjo, por que você está ferido? Quem foi o desgraçado que cortou as suas asas?”. Mas eu já sabia. Eu era o desgraçado, eu era o demônio. Por isso não perguntei nada, e o máximo que consegui dizer foi “adeus”. Aí você deu um sorriso amarelo, e ficou olhando para o céu.
                Cheguei em casa, abri a geladeira. Não encontrei nada de interessante. Então, me sentei no sofá e fiquei olhando para a tv desligada. Depois achei graça quando lembrei da piada que um amigo havia me contado. E aí, de repente comecei a chorar. Sim, foram lágrimas de desespero. Os cigarros e as cervejas?! Para o diabo com eles. 
(Lucas Kalleb) 

3 comentários: