Eu
tive medo. É isso. Não desisti por ter deixado de te desejar, mas por covardia
mesmo. E agora, estou enfiado aqui nessa
fossa. E sabe o que vou fazer agora? Tomar umas boas cervejas, fumar uns
cigarros e esquecer. Eu sempre digo aos meus amigos, com um sorriso no rosto:
“Esse é o segredo da minha força. Meu remédio infalível”. Ah, seu fingidor da porra. Por que não conta
para eles que as suas noitadas são só para te salvar da loucura? Que precisa
ficar bêbado a maior parte da semana, só para conseguir aguentar as dores que
te dilaceram? Por que não fala sobre as madrugadas em que você fica cheio de
nicotina, se contorcendo nas suas crises existenciais, procurando a razão de
toda essa falta de sentido? Mas não. Você fica lá naqueles barzinhos com um
cigarro na mão esquerda e um copo na direita, sempre sorrindo, sempre sorrindo. Sou patético, mesmo. Como se fosse
possível esquecer você, esquecer a vida que tivemos, a vida que não chegamos a
ter...Caramba, isso está doendo mesmo, sabe?
E o pior foi o momento de me despedir. Naquela
noite, na varanda, foi como se no teu rosto estivesse presente toda a beleza
existente no universo. Por alguns segundos, cheguei a pensar que estava diante
de um anjo. Tive vontade de perguntar : “Anjo, por que você está ferido? Quem
foi o desgraçado que cortou as suas asas?”. Mas eu já sabia. Eu era o
desgraçado, eu era o demônio. Por isso não perguntei nada, e o máximo que
consegui dizer foi “adeus”. Aí você deu um sorriso amarelo, e ficou olhando para
o céu.
Cheguei em casa, abri a geladeira. Não encontrei nada
de interessante. Então, me sentei no sofá e fiquei olhando para a tv
desligada. Depois achei graça quando lembrei da piada que um amigo havia me
contado. E aí, de repente comecei a chorar. Sim, foram lágrimas de desespero.
Os cigarros e as cervejas?! Para o diabo com eles. (Lucas Kalleb)
Muito bom o teu texto, gostei mesmo.
ResponderExcluirMuito obrigado, Bruna =D
ResponderExcluirLindo...
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