17 de novembro de 2013

Indo para a faculdade


Vou para o ponto de ônibus, e espero algum que me leve à faculdade. Depois de muito tempo de espera, aparece o maldito. Faço o sinal com a mão para parar, mas ele não para. Acredito que esses indivíduos que dirigem ônibus, têm sérios problemas. Quando eles veem algum provável universitário fazendo sinal de parada, logo pensam: “Caralho! Eu sou um fodido, e vou continuar sendo um. Então, que se danem esses estudantes de bosta”. Aceleram, e vão embora gargalhando. Enquanto a pessoa que fez o sinal continua imóvel, com seu braço esticado, parecendo idiota. Ok, ok...cada um se vinga do mundo como pode, não é?
Tudo bem. 
Alguém poderia dar a ideia genial: “porra, é só esperar o próximo”. O problema é que o tal “próximo”, demora no mínimo trinta minutos para passar (trintas horas, dias, meses...). Então, decido pegar dois ônibus para chegar, sem atraso, à minha maravilhosa faculdade que fica no fim do mundo.
Quase perto da primeira parada em que eu iria descer, sobe no ônibus uma mulher bem suja, cheia de sacolas com garrafas, fazendo vários movimentos repetitivos e estranhos com os braços e cabeça. Ela senta no lugar vago ao meu lado, apesar de ter vários outros lugares vagos. A primeira coisa que sinto é aversão, confesso. Mas depois, lembro das lições que aprendi com os livros do Augusto Cury, que lia quando era adolescente, e digo a mim mesmo: “Que isso? Que isso? Não posso ser um filho da puta preconceituoso. Qual é o nome dessa mulher? Por quem ela já foi apaixonada? Será que chora antes de dormir? Com o que ela sonha?”. Toda essa besteira piegas dura menos de um minuto. Enquanto eu ainda estou perdido nessas perguntas sem sentido, achando que dessa maneira me aproximo de alguma espécie qualquer de nobreza de espírito, a mulher faz um barulho esquisito com a garganta, e então, cospe bem no meu pé esquerdo. Levanto do lugar e olho puto pra ela, que parece nem se dar conta de nada, continuando a se balançar toda. Nesse momento, sinto raiva de todas as pessoas que pregam a paz; que escrevem coisas bonitinhas e versos rimados; daqueles casais que fazem juras de paixão eterna, enquanto a garota, a namoradinha perfeita, dá para o vizinho; sinto raiva ao lembrar do sorriso daquelas pessoas que nos recebem nas portas das igrejas. É tudo uma farsa. Fomos todos enganados. “Ama teu próximo como a ti mesmo”. Desculpa, mas não dá. E que se fodam todos os livros do sr. Cury.
Puxo a cordinha para o ônibus parar, mas aquele merda de motorista - que devia ser metralhado - passa da parada.
Mando um cotoco para o desgraçado ao descer - "bem mais elegante que gritar 'VIADO!'", eu penso.
Droga! E ainda falta mais um ônibus.
Mas estou chegando professores e coleguinhas de classe.

Lucas Kalleb

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