Lembro bem da cena. Você ali sentada de frente para o mar, o
vento brincando com seus cabelos, enquanto lia aquele seu livro de
poesias malucas, esperando por mim.
Quando cheguei você reclamou do meu atraso. Desculpei-me, é
claro. Mas o que você não sabe, é que eu já estava lá fazia algum tempo,
admirando aquela cena mágica. Você estava tão linda. Então, você olhou para trás, e me viu. Com um sorriso bobo na cara, me aproximei tipo como quem está se escondendo do mundo. Depois começamos a conversar,
conversar e conversar...sobre filmes, livros e pessoas.
- O mundo é tão feio, Linda!
- Isso está tão batido.
- Eu sei, eu sei...
- Marcelo, o problema são as pessoas, não é?
- Isso! Exatamente! São as culpadas...
- Ah, merda! Eu também não gosto das pessoas...quer dizer,
da multidão.
- É. Elas juntam tudo o que resta de suas almas, e jogam na
fogueira...é por isso que não gosto delas. Têm um cheiro de coisa
queimada...
- Mataram as próprias almas.
Linda, sinto sua falta. Porém, não precisa voltar. Permita-me, ao menos, ficar com essa saudade que, às vezes, me abraça e beija.
Só para você saber, aquele cheiro de coisa queimada só piora.
(Lucas Kalleb)
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