Não curto ir a saraus. Nas poucas vezes que fui, experimentei uma
espécie de esvaziamento. Ver pessoas reunidas, apertadas, quase amontoadas, de
olhos voltados para outras pessoas que, sem escrúpulos, vomitam pseudo-genialidade
antes de serem aplaudidas com fervor religioso, me deixa nauseado. Se não fosse
pela habitual presença da Cantina da Serra nesses lugares seria o fim da
picada. Escrever um poema presunçoso e se achar o rei da cocada preta por isso,
é se marturbar. Agora, escrever o tal poema e ler em um sarau, onde há a
certeza do louvor – mesmo que fingido –, é ser masturbado. Punheta, ciririca e
até curirica.
Em uma das vezes que fui a um sarau, um cara sentado ao meu lado levantou a mão para o alto, indicando que tinha uma performance artística para apresentar. Pronto: lá estava ele no centro de todos os olhos. Começou a pular: uma, duas, três vezes. E a cada pulo, urrava palavras como amor, deus e tecnologia. Então, ficou de cócoras e disse bem alto:
“O eterno é aquilo que se repete! O eterno é aquilo que se repete! Está se repetindo diante do banal. Está! repetição! O cu nada mais é do que uma boca que não aprendeu a sorrir. O tabu foi quebrado. Os peixes e macaquinhos estão assustados com a nossa desumanidade. Só há dor. Sintam, sintam, sintam. Isso não passa de repetição!”.
Levantou suado, agradeceu e foi bastante aplaudido, com direito a gritos e tudo. “Parabéns, cara!”, “É isso aê!”, “Falou tudo!”. Pura besteira. Agora entendes o que quero dizer? Lugares assim fazem um mal danado para a alma e para o fígado. Mas se, como eu, tu não conseguires salvar o fígado, tenta salvar a alma. Eu tento.
Para que masturbação quando dá para foder?
Lucas Kalleb

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