- Vou tentar,
mas não sei se ele topa.
- Pelos
velhos tempos, Higor.
- Ficou
sabendo que faz uns três anos que ele quase não sai de casa?
- Me falaram.
- Vou chamar,
mas se ele vai ou não, é outra história.
- Beleza. O
André e o Fernando deram certeza que vão.
- Então,
contando com a Márcia, a Juliana e o Jorge, já temos uma galera.
- A Ju vai? A
despedida vai ser do caralho!
- Vai ser,
man.
- Não vai
tocar nesse chopp? Daqui a pouco dá dengue.
- Não fode,
Roberto. Tô bebendo de leve hoje.
- Sei. Aquele
ali que passou não é o Pato?
- Qual?
- Aquele ali.
- Ah, é ele
mesmo. Ficaste sabendo que virou pastor?
- Tu tá de
sacanagem.
- Não, pô. É sério.
- Quem diria!
Nem dá pra acreditar. O mundo tá malucão mesmo.
- Pois é. Mas
tem uma coisa: ele não larga mão de enrabar a mulher do velho que vende farinha
lá na esquina. Dá até pena.
- Do velho ou
da puta?
- Para de
zuar. Do velho, claro.
- Escroto
mesmo. Ela é gostosa?
- Um putão, Roberto.
Só tu vendo. Aqui no bairro todo mundo quer comer. É a Aninha. Tu lembra dela?
Tem mais de vinte anos agora, eu acho.
- A Aninha? E
era doido por ela. Já faz um tempão. O tempo corre.
- Pois é.
- Aquele Pato
filho da puta!
- É.
- Cadê o cara
das bebidas? Esse bar é meio canalha. Higor, o que tu achas dessas pessoas que
pensam que Jesus, deus, a bíblia etc., são propriedades delas?
- Esse papo
agora? Já tá ficando porre.
- Não fode.
- Roberto, eu
acho que são todos muito engraçados. Uns putinhos.
- Que são uns
putinhos até concordo, mas engraçados? A tragédia já suplantou a comédia, cara. A minha opinião
é a de que são pessoas bem tristes, mas tristes de um jeito feio, saca? E o
pior é que elas tentam fazer todo mundo ser assim, cheio da tristeza e feiúra
delas; e se o mundo não aceitar, jogam na fogueira. Ainda usam fogueira?
- Nunca
pararam de usar. Elas precisam se dar conta de que não têm nada, de que não são
donas de nada. E se há mesmo alguém lá no céu, é muito provável que esteja
cagando e andando pra elas.
- Também
acho. Durante a lavagem cerebral que sofreram, retirou-se todo e qualquer
vestígio de material pensante que havia lá dentro das cabeças delas. Tem uns
que são até respeitáveis. Isso não dá para negar. Mas a maioria que conheço não
vale merda seca.
- Dá pena
dessa gente que ficou bugada depois de ouvir um pastor, padre ou alguém dessa
raça.
- Higor, de
qualquer maneira, a maioria das pessoas, ouvindo esses gurus ou não, nunca
aprendeu a pensar mesmo. Tens que ter pena é do farinheiro que está com a cabeça pesada de tanto o Pato meter na Aninha.
- Roberto, vou te falar: eu
quero a Aninha pra mim. Ela pode continuar com o velho e até com aquele pastorzinho dela, se
quiser. Não importa. Mas eu quero ela pra mim!
- Apaixonadinho, é? Tu tá fraco
pra bebida hoje, porra.
- Não fode. Lucas Kalleb

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