Hoje,
através da janela do carro, vi um homem deitado em uma calçada. Acho que já
passava de meio dia. Ele era negro, estava de bruços e vestia nada mais que uma
camisa suja. Isso mesmo, apenas uma camisa. Sua bunda azul e marcada estava
completamente à mostra. Não pude ver o rosto. Desviei o olhar daquela cena
degradante, baixei a cabeça e pensei: "Isso não está certo. Não pode
estar. Ele é um semelhante. Um humano". Como que por ironia, na tal camisa
que ele vestia estava escrito "Encontro com
Deus". Saí dali correndo para casa.
Estou no meu quarto. A noite já chegou. Ainda há pouco, comi com culpa dois pratos de macarronada. Acabei de desligar a central de ar porque estou sentindo muito frio. Lá fora está chovendo um pouco. Não dá para evitar pensar no negro: deve estar sonhando com um mar cheio de peixes e encantos, enquanto, a despeito do provável sonho, as águas do céu molham e contornam seu corpo em direção ao bueiro, e as pessoas que passam (as que têm casa, mesa e cama), observam suas nádegas azuis. Observam com entorpecimento o cu.
Estou no meu quarto. A noite já chegou. Ainda há pouco, comi com culpa dois pratos de macarronada. Acabei de desligar a central de ar porque estou sentindo muito frio. Lá fora está chovendo um pouco. Não dá para evitar pensar no negro: deve estar sonhando com um mar cheio de peixes e encantos, enquanto, a despeito do provável sonho, as águas do céu molham e contornam seu corpo em direção ao bueiro, e as pessoas que passam (as que têm casa, mesa e cama), observam suas nádegas azuis. Observam com entorpecimento o cu.
Lucas
Kalleb
"o cu entorpe ou entope"
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