"Eu te amo", Foi
o que ele não disse à garota. Talvez por medo, vergonha... Quem sabe? Água na
calçada. Uma mulher é atacada por uma besta. A menina sorri, mas ele não
devolve o sorriso. São duas criaturas cheias de desejo e desespero. O sangue da
pobre mulher se uni com a água, enquanto é devorada pela fera. Os mortais
tentam defendê-la, mas são destruídos. Não há mais tempo. O "te amo",
"te quero", "não vá", não foram ditos. O garoto, agora, vê
sua mãe despedaçada. A fera sente algo que nunca sentiu, quando olha nos olhos
do anjo da morte: medo.
Silêncio. Foi tudo que
houve. "Ei! Você é meu melhor amigo". "Idiota! Você me deixou
sozinho". " Sempre seremos amigos?". "Claro que sim".
"O quê? De que te chamaram?". "Espera, vamos resolver tudo".
Em nome do pai, do filho e do espírito santo. "Você está tão distante.
Istante. Stante. Tante. Ante. Nte. Te . E ..."
A fera rugindo. As facadas
delacerando sua casca, sua pele, sua podridão. Mas só há silêncio. A criança se
transforma em um animal. A razão acabou, só resta o instinto. Seus olhos
sangram. A criança está em frenesi. Não há mais fera. Dizem que os dias ficam
nublados quando tragédias acontecem, porém o dia estava lindo. Agora só restam
choros abafados, um bicho morto, uma mulher despedaçada, homens covardes, uma
criança sem brilho no olhar, água vermelha na calçada, um mundo oco e algumas
pedrinhas no chão da cozinha.
(De Lucas Kalleb para um Amigo)
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