20 de novembro de 2011

O Menino e a Fera




"Eu te amo", Foi o que ele não disse à garota. Talvez por medo, vergonha... Quem sabe? Água na calçada. Uma mulher é atacada por uma besta. A menina sorri, mas ele não devolve o sorriso. São duas criaturas cheias de desejo e desespero. O sangue da pobre mulher se uni com a água, enquanto é devorada pela fera. Os mortais tentam defendê-la, mas são destruídos. Não há mais tempo. O "te amo", "te quero", "não vá", não foram ditos. O garoto, agora, vê sua mãe despedaçada. A fera sente algo que nunca sentiu, quando olha nos olhos do anjo da morte: medo. 
Silêncio. Foi tudo que houve. "Ei! Você é meu melhor amigo". "Idiota! Você me deixou sozinho". " Sempre seremos amigos?". "Claro que sim". "O quê? De que te chamaram?". "Espera, vamos resolver tudo". Em nome do pai, do filho e do espírito santo. "Você está tão distante. Istante. Stante. Tante. Ante. Nte. Te . E ..."
A fera rugindo. As facadas delacerando sua casca, sua pele, sua podridão. Mas só há silêncio. A criança se transforma em um animal. A razão acabou, só resta o instinto. Seus olhos sangram. A criança está em frenesi. Não há mais fera. Dizem que os dias ficam nublados quando tragédias acontecem, porém o dia estava lindo. Agora só restam choros abafados, um bicho morto, uma mulher despedaçada, homens covardes, uma criança sem brilho no olhar, água vermelha na calçada, um mundo oco e algumas pedrinhas no chão da cozinha.
(De Lucas Kalleb para um Amigo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário